O natal e o pensamento
“Aquele que não podes pensar é um tolo. Aquele que não quer pensar é um fraco. Aquele que não ousa pensar é um escravo.” Não sei onde lí isso e tão pouco quem foi o autor dessa pérola filosófica, só sei que fiquei com isso na minha mente por muitos anos e procurei sempre não me encaixar em algumas das situações citadas pelo trecho filosófico. Mas acontece que com o tempo, com a necessidade de pensar sobre as coisas, acabamos por nos tornar escravos do próprio pensamento. Isso aconteceu comigo. Hoje sou um escravo do pensamento e isso me causa um sofrimento árduo pois sou um dos poucos que ainda mantém essa atividade viva e é muito difícil encontrar alguém para compartilhar e também entender os pensamentos que de tão profundos, às vezes se transformam em devaneios.
O meu sofrimento não vem de hoje. Ele se arrasta por muitos anos. Infelismente eu não tinha hábito de leitura e por isso deixei de me dopar muitas vezes para curar a minha dor. Muitas de minhas perguntas se encontravam nos livros e lá também estavam os meus interlocutores, as pessoas que iriam entender os meus pensamentos e também aprimorá-los.
Mas deixa pra lá, vamos ao que interessa mesmo! Quando estava na 5ª série (veja só quanto tempo faz isso, pois hoje tenho 26 anos) tive um pensamento pesado quanto a questão do Natal e o início do ano. Minha professora de história, que por sinal era competentíssima, tocou no assunto do famoso AC e DC (antes de Cristo e depois de Cristo). Puts, uma pensamento explodiu em minha mente! Automaticamente pensei: Se nosso caledário tem como parâmentro o nascimento de Jesus Cristo então por que o dia 25 de dezembro não é considerado o primeiro dia do ano? Coitado de mim! Nunca mais tirei isso de minha cabeça. Meu sofrimento já se arrasta por longos 15 anos e até hoje não encontrei um remédio para pelo menos para amenizar a dor de não encontrar respostas para tal questão. E olha que não foi por falta de questionamentos não. Inclusive minha professora não soube responder. Ainda não desisti de obter uma resposta plausível para tal questão.
Os pensamentos são coisas abomináveis, cruéis, sacanas. Eles nos acorrentam, torturam e aniquilam nossas almas. É por isso que tão poucas pessoas ousam pensar. Aquele que pensa uma vez jamais voltará ao seu estado normal, jamais poderá ver sem olhar, escutar sem ouvir e tocar sem sentir. O pensamento me dominou ao ponto de uma simples questão de cronologia derrubar-me e causar um enorme vazio dentro de mim. Feliz daquele que nunca pensou, que nunca deparou-se em um mundo contrário ao real e que nunca sentiu vontade de suicidar-se diante das reações mesquinhas da nossa sociedade. Essas pessoas são felizes. Elas não problematizam nada, elas apenas vivem. E nós pensadores sofremos, nos torturamos em busca de respostas e soluções. Nao é raro você ouvir que fulano de tal é louco, doido, demente. Esse fulano na maioria das vezes é um pensador. Imagino o que Nietzsche deve ter sofrido na pele. Inclusive ele foi dado como louco e internado em um hospício, ficando lá até a sua morte.
O natal para os cristãos é uma data onde comemora-se o nascimento, a luz. Para mim que sou ateu não tem muito sentido. Mas vou entrar no espírito natalino, mesmo que de uma maneira diferente. Vou esperar pelo nascimento de uma resposta, de uma solução, de uma luz para, pelo menos, esse meu pensamento sobre a data natalina. Tomara que dê certo. Seria ao mesmo tempo morfina e adrenalina correndo nas minhas veias.
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- 4 04UTC Dezembro 04UTC 2007 / 13:44
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