De quem são nossas terras?

 

 

Boa pergunta! De início a resposta nos parece fácil demais. As nossas terras são nossas! Mas lanço um questionamento para uma reflexão  profunda. Voltemos ao ano de 1500 d.C. quando Cabral pisou em terras tupiniquins (ou até mesmo antes pois existem pesquisas que revelam que os chineses chegaram aqui bem antes disso). Existiam aqui seres humanos, uma espécie de civilização que denominou- se “Indígena”. Essa civilização tinha aproximadamente 4 milhões de pessoas (hoje não passam de 300 mil) vivendo nesse território. Acontece que nessa época existia no mundo um sistema econômico denominado Mercantilismo que era baseado no acúmulo de riquezas e fui justamente esse sistema econômico que lançou os navegantes da coroa portuguesa para esses lados do Atlântico. Ao chegarem a esse lado do oceano os mercenários portugueses simplesmente ignoraram a civilização nativa que aqui vivia e, na marra, denominaram-se os donos dessas terras tropicais (isso acontecera em vários lugares do mundo, antes e depois desse episódio).

Pois bem, moro em uma região (norte de Minas) em que ainda existe resquícios dessa civilização indígena e dias atrás me deparei com uma situação que me levou a refletir sobre a verdadeira posse ds terras nas quais vivemos hoje.

A família de uma amiga que tem posses na região de uma aldeia indígena está revoltada pelo fato de terem sido “prejudicados” com a perda de uma porcentagem das mesmas por  uma remarcação de terras feitas pelo governo federal. Essa remarcação cedeu uma parte considerável de terras para a aldeia indígena instalada na região. Não só a família de minha amiga mas também todas as  pessoas que perderam parte de suas terras ficaram indignadas.

No século XVIII um cidadão Francês chamado Proudhon (o pai do anarquismo) defendeu que toda propriedade é um roubo. Eis me aqui para engrossar esse coro. Toda propriedade é um roubo. Vivemos em terras que foram saqueadas à força dos nossos índios. Essas terras foram legalizadas como sendo de posse dos colonizadores que escravizaram e sacrificaram os seus verdadeiros donos e depois foram vendidas e doadas para outros homens, de geração pra geração, até os dias de hoje.

Diante de tal reflexão cheguei a uma conclusão: A demarcação de terras é sim apenas uma migalha da verdadeira justiça que deveria ser feita a favor do nosso povo indígena. Eles deveriam ter uma indenização a altura da perda de suas terras, de seus antepassados e de sua cultura que foi brutalmente maculada pelo cristianismo dos Jesuítas.

O Índio é visto como um ser não civilizado, mas os verdadeiros selvagens dessa história são aqueles que aqui somente chegaram para sugar as riquezas desse país. Cabe a essa geração fazer justiça a um povo que foi barbaramente humilhado.


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