A Educação pede Socorro

         Caí de pára-quedas na Educação. Era um estudante inteligente, porém vagabundo, “gauche” como diria Drummond. Tentei vestibular em uma universidade pública tendo ficado por mais de um ano afastado dos estudos e tendo retomado a leitura apenas três dias antes do exame. Tentei Pedagogia por ser um curso da qual a chance de êxito no vestibular seria maior. E não é que passei?! Logo no primeiro mês de academia me apaixonei pela Pedagogia, sentimento que nunca mais saiu de mim. Depois da academia me tornei educador na rede pública estadual e comecei a ver de perto as mazelas da nossa Educação.
         Nos bancos da universidade ouvi muito falar do fracasso escolar, as tentativas e projetos frustrados que sucederam ao longo da história do nosso país. Hoje, como educador da rede pública de ensino, posso dizer que não existe fracasso escolar e tão pouco tentativas e projetos frustrados na nossa Educação. O que há é um plano muito bem elaborado e arquitetado pelas políticas públicas, a fim de proliferar a ignorância e o conformismo na sociedade. Trabalho também na rede particular de ensino e enxergo o enorme abismo que existe entre o ensino público e o particular (pelo menos que tange a Educação básica). Na rede particular não existe um currículo engessado e nem a burocracia que reina na rede pública. Mas, a meu ver, não é esse o maior problema do ensino público. O entrave que salta aos olhos é a falta de estruturação e seriedade nas ações governamentais para com a Educação Pública. Profissionais despreparados, salários miseráveis e rede física insalubre, é esse o panorama que encontramos. O profissional da Educação não vive, sobrevive. Os professores, que são a ponta da lança, em sua maioria fingem que produzem conhecimento, 90% dos estudantes fingem que aprendem. Assim vai se formando o ciclo vicioso e destrutível do sistema. O resultado? Ignorância, falta de criticidade e a triste desesperança em nossos jovens. E é por isso que digo que tudo é tão bem planejado e que tudo funciona conforme a vontade dos governantes. Onde há ignorância é mais fácil governar, corromper, intimidar e enganar. Onde existem essas ações logo poderemos concluir que a Educação não cumpriu seu papel factual.
         Nenhuma nação torna-se grande se não através de políticas públicas voltadas à Educação de qualidade. Serve como exemplo duas nações antípodas, com histórias parecidas, mas com desfechos tão diferentes quanto às suas posições no globo: O Japão e o Paraguai. Ambos eram países desenvolvidos e foram arrasados pelas guerras. Um investiu em Educação e o outro não. Um tornou-se, em apenas quarenta anos, a segunda maior economia mundial e a maior potência tecnológica do mundo e o outro é o patinho feio da América do Sul.
         Não sejamos ingênuos em pensar que o sucesso econômico nacional salvará nossa nação da pobreza. O crescimento sustentável e homogêneo de um país passa por uma Educação de qualidade, com planejamento a longo prazo. A nossa Educação pede socorro, ou melhor, a nossa nação pede socorro. Melhores investimentos, profissionais remunerados de acordo com a importância de sua profissão e uma valorização do tamanho da relevância que a Educação tem. Esse é o caminho para sairmos da triste situação em que nos encontramos. Mas lembre-se, será a longo prazo.

Obs:Para mim Educação é com letra maiúscula mesmo.


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